Para começar, uma escola de surf é uma empresa como qualquer outra, e como qualquer empresa deveadotar atitudes ecológicas por uma questão de urgência e prioridade, pois vivemos uma fase de tamanha insustentabilidade ecológica da humanidadeque mal sabemos se nossa própria geração sobreviverá a encrenca que nos arrumamos, nem pensar em nossos filhos e netos!
Tem gente que defende a prática do surf como sendo muito pouco impactante ao meio ambiente.
E, dependendo da configuração, pode realmente ser menos impactante do que outros desportos.
Digamos que o adepto de surf se mude para morar a uma distância da praia onde consegue chegar às ondas a pé ou de bicicleta.
Que use uma prancha feita de um polímero eternamente reciclável, com laminação em fibra de bambu e resina de poliester separável da fibra e do bloco, também reciclável.
Que a camisa de lycra seja feita de PET (reciclado), livre do antimônio (substância ultra-tóxica contida no poliester industrial), e que também todas os outros acessórios (roupa de borracha, leash, parafina etc) sejam feitos de materiais ecologicamente viáveis, não-tóxicos e inseríveis sem déficit ambiental em novos ciclos industriais ou no próprio meio ambiente como depósito final.
Que esse adepto incentive a surfar somente pessoas quem também morem perto da praia e que também usem esse tipo de equipamento sustentável.
Aí realmente poderíamos dizer que ele virou um exemplo de um surfista ecologicamente sustentável.
Só que a prancha dele não existe ainda, nem tais acessórios!
Existem sim as tecnologias e as empresas admiráveis que tentam tornar isso uma realidade.
Porém, a reciclagem de fato ainda não acontece/funciona, nem há equipamento de surf no mercado seguramemte depositável e biodegradável na natureza.
Na verdade, a maioria dos surfistas Brasileiros não está nem aí para a sustentabilidade ecológica do esporte. Assim, a disponibilidade de tais produtos e práticas depende de empresários visionários, dispostos a voluntariamento investir MUITO dinheiro no desenvolvimento de tecnologias e materiais sustentáveis, meramente baseado em convicções pessoais ou projeções de mercado de longo prazo muito otimistas, porém sem uma real demanda de mercado, e com pouquíssimos consumidores dispostos a pagar mais por produtos mais ecológicos.
São muito poucas essas empresas do surf que estão firmemente buscando a sustentabilidade ecológica de seus produtos e serviços, e praticamente todas elas são estrangeiras, sem disponibilidade desses produtos no Brasil.
O equipamento – quase tudo material tóxico!
Tem mais. Olhe o exemplo da querida “barca do surf”: 1 tonelada ou mais de substâncias tóxicas chamadas “veículo automotivo” para transportar 1 surfista e 1 prancha (repleta de substâncias tóxicas não recicláveis) para chegar ao pico e de volta para casa.
Mas, o maior impacto ambiental do surfista seguramente é o causado pelo surfista viajante.
Olhe a emissão de carbono e de outros gases (muito piores!) pelo avião em que ele vem e vai embora.
Olhe o lixo produzido na pousada e nos retaurantes onde ele come.
Olhe a eletricidade consumida durante a estadia dele.
Como dono de uma escola de surf eu poderia argumentar:
“Mas isso não é de minha responsabilidade! Qual é minha culpa do cliente vier até aqui? Enfim é decisão dele!”
Pois vamos pensar melhor: se o nossos clientes não viessem até a nossa empresa, a quem ensinaríamos então o surf?
Claro que não respondo pelas decisões do meu cliente, mas sim: influencio!
Tenho responsabilidade em relação ao destino “surfístico” em que atuo, bem como pela imagem que este destino transmite ao mercado dos surfistas viajantes (aka: turistas).
Idealmente, nosso pico de surf é bem visto e querido no mercado, para que as pessoas interessadas em aprender e melhorar suas técnicas venham e desfrutem dos nossos serviços.
Portanto vamos nos encarregar naturalmente a cuidar do nosso pico, de nosso destino, divulgar sua boa imagem, e tratar bem nossos clientes, para que eles gostem, voltem e indiquem para os amigos.
E isso não é influenciar na decisão do cliente? Claro que é!
E agora vamos olhar para nossa própria casa: comida, lixo, luz, gás, combustível, água, esgoto, etc e tal…, enfim tudo que consumimos para manter-nos e nossas famílias através da nossa empresa.
É impacto ambiental, e respondemos por ele diretamente. Assim sendo, é nós, é agora!
Seguem algumas idéias como uma escola de surf pode se tornar ecologicamente sustentável:
monitorar as emissões de carbono da empresa e dos colaboradores, diretos e indiretos, minimizá-las e compensar pelas que sobram, por exemplo através plantação de árvores.
oferecer serviços aos clientes para medir e compensar as emissões de carbono causadas pela viagem de ida e volta ao destino.
usar agentes de limpeza biodegradáveis em vez dos mega-agressivos usados desnecessariamente pela vasta maioria dos Brasileiros
incentivar os clientes a comprar produtos alimentícios locais (ex. coco…) em vez de produtos industriais (ex. coca…)
separar o lixo e organizar/participar de um esquema local de reciclagem/compostagem, em vez de entregar aos gestores públicos que na grande maioria ainda acreditam que os aterros sanitários sejam uma forma adequada de depósito dos resíduos sólidos (enquanto na verdade são comprovadamente 100% insustentáveis ou melhor: são verdadeiras bombas ambientais!).
ao comprar insumos, matéria prima e mercadoria, escolher produtos mais ecológico (por exemplo: a camisa de sua escola de surf feita de algodão orgânico), com menos embalagem e menos tóxicos.
usar sacolas de pano em vez de sacolas plásticas para carregar qualquer coisa
usar papel reciclado se realmente precisar imprimir (melhor: evitar imprimir, envie e-mail com aenxo em vez disso)
comer e vender produtos alimentícios orgânicos, preferencialmente produzidos localmente (lembre do déficit ambiental do frete rodoviário)
usar e promover o uso de transportes ecológicos de curta dsitância, como bicicletas.
construir no mínimo conforme normas ambientais, melhor ainda: excedendo-as por uso de materiais ecológicos e aproveitamento da natureza para ventilar, resfriar, abrigar.
investir em paineis solares para geração de eletricidade
captar água de chuva para reuso
investir em sistemas de gestão biológica dos resíduos líquidos (esgoto), por exemplo através bio-digestores coletivos (ainda com ganho gratúito de gás natural + adubo orgânico!)
regularmente realizar revisão e calibragem de seu veículo motorizado, em oficinas ambientalmente certificadas, para diminuir o gasto em combustível e vazamento de subtâncias tóxicas no meio ambiente
na compra de um novo veículo, optar por um motor menor, mais econômico.
comunicar ao seu shaper da sua vontade e disponibilidade em experimentar pranchas feitas de materiais mais ecológicas do que os tradicionais materiais PU/poliester ou EPS/epoxi.
procurar fornecedores de acessórios de surf ecológicos.
racionalizar o uso de tudo que não é ecológico, através da aplicação de processos operacionais passados por PDCA também em questões ambientais.
ler sobre sciência, tecnologia e meio ambiente para conhecer novas tecnologias e tendências do mundo ambinetal.
apoiar e participar de instituições ambientais locais para mais eficientemente difundir as boas práticas ambientais e as informações que você adquiriu
E a EasyDrop está fazendo isso tudo? Não!
Até agora somente os itens 1, 2, 4, 6, 8, 9, 11, 15, 17, 18, 19, 20, 21 são efetivamente realizados na EasyDrop.
Todos os outros encontram-se em fase de planejamento ou implementação.
Mas vamos chegar lá, não tenho dúvidas.
Então é só isso?
Claro que não, isso é só o início e ao assumirmos nossa responsabilidade pelo meio ambiente vamos encontrar e descobrir mil maneiras mais de nos tornar mais sustentáveis, e como isso pelo menos obter uma chance de amenizar o catástrofe apocalíptico cada vez mais provável de acontecer devido às nossas atitudes não sustentáveis.
A sustentabilidade ecológica de uma escola de surf não é uma questão de crença, marketing, elitarismo, bobagem, loucura.
É nossa contribuição à tentativa de promover a sobrevivência da nossa espécie…