quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A primeira vez

Para tudo na vida existe a primeira vez. Primeira  palavra, primeiros passos, primeiro beijo, primeira nota Zero, primeira namorada, primeira briga, primeira vez, enfim. Cada um destes momentos é marcante de forma diferente, para diferentes pessoas, as vezes mais para nós, as vezes mais para eles. Hoje estou aqui para falar da minha primeira vez, mas não esta que vocês estão pensando. O caso aqui, é da minha primeira prancha. Lembro-me que quando a ganhei, fiquei muito surpreso, e louco para ver o que "aquilo" fazia, até descobrir que aquilo não fazia nada e que quem deveria fazer era eu mesmo. Nisso foram 5 anos de relação, onde destes 5, apenas o último foi levado a sério. Mas como todas, ela envelheceu, já que era de segunda mão, e infelizmente ela teve que dar lugar a outra, mas não foi deixada de lado, isso nunca, afinal o que faz parte de nós, não têm como ser tirado de nós.
Então veio "a outra". Diferente da primeira esta é toda branca, mas não estou aqui para descrevê-la, e sim para descrever o sentimento que ela trouxe consigo. Esta eu escolhi, eu a namorei na vitrine por um longo tempo, mas como dizem, tudo o que é mais difícil, é melhor. Um dia alguém me falou que se apaixonar é algo sempre novo, porém que vai ser sempre igual, não importa se você possui 15 anos, ou 40. Desta vez, a minha paixão foi ainda maior, a sensação da primeira queda com ela, da primeira onda, dos caldos, tudo foi diferente e está sendo, e incrivelmente maravilhoso. O fato é que não importa se você já passou por tal situação, o que importa é o quanto de amor você utiliza para fazê-la, pois como nos relacionamentos, na vida nada teria sentido sem o amor. Por isso ame, ame muito porque um dia volta parceiro, e posso lhe garantir que para mim, este dia se incluiu em minha rotina. Procure algo que você goste e ame, e se dedique a isto.Se for verdadeiro, será fácil.
Como foi citado no filme Surf Adventures 2, " o melhor surfista é aquele que se diverte mais". Para mim o surf não é apenas pegar ondas, e bem. O surf envolve a comida ruim que nós comemos em nossas trips, a viagem de carro, as músicas, as risadas, as conversas, os caldos, a natureza e principalmente a amizade e o companheirismo, e isso eu garanto que não há dinheiro que pague. Não estou dizendo que todos devem surfar para serem felizes, mas todos deveriam ter um hobbie assim e amá-lo tanto quanto nós amamos o surf.


ALOHA!

Fail Trip




Como primeiro post deste Blog, gostaria de publicar uma das muitas roubadas que eu e meus amigos nos metemos.
3 de Janeiro de 2011, três da tarde, Edimilsom liga para Marco Antônio, para combinar a trip da semana, Laguna estava bombando, com séries constantes pra mais de meio metro, água quente, vento e corrente sul, tudo o que pedimos antes de dormir. Como sempre, Marco nem espera o Edi terminar de falar e já topa de cara. O Edi leva a comida (água, alguns sandubas, bolachas e bananas), e o Marco fica com o gás. As cinco da tarde eles partem em busca destas tão esperadas ondas, onde no mesmo momento Israel, outro brother já está na estrada a caminho de Laguna. Como a fila na BR 101 estava gigante, Marco e Edi pegam o acostamento até chegarem em Jaguaruna desviando e xingando muito argentino, e resolvem ir para Laguna pela estrada do Cabo de Sta Marta. Até ai tudo certo, porém como o Marco não reduz de 80 km/h em estrada de chão com seu Astra, realizamos um salto incrível em uma das lombadas na rua atrás da praia da Tereza (outro paraíso). Quando param na fila da balsa, um homem bate no vidro, eles baixam o som (como sempre alto), e o homem avisa que o óleo está vazando. Pronto! Começou a sorte. Eles empurram o carro até a Lanchonete da Balsa, onde diga-se de passagem a atendente é uma gata e serve um café maravilhoso. Tomam um café, e começam uma longa jornada de 6 idas e voltas na balsa de apé para encontrar alguma oficina, já que o guincho até Criciúma estava R$ 250,00! As nove horas da noite encontram uma oficina, um velho simpático, indignado pela antiga demissão em uma das oficinas dali mesmo, mas que parecia entender muito do que fazia. Acertamos com ele para as oito horas da manhã do outro dia (4 de Janeiro), levar o carro até a oficina e arrumar. Voltamos pela balsa até a lanchonete, tomamos mais um café e conversamos com a nossa musa, para relaxar já que o que estava por vir não era nada agradável.
Por volta da meia noite, a fila para a balsa acabou, e finalmente conseguimos empurrar o carro para dentro dela, com o auxílio de seis pessoas e quero aqui deixar meu muito obrigado pela ajuda! Estacionamos o carro em frente a balsa no lado de Laguna, pois ali seria mais seguro já que a balsa opera 24h e nós dormiríamos no carro. Neste meio tempo, o Israel que as cinco horas estava na estrada, nos achou, após 5 horas de viagem de Floripa à Laguna. Estávamos na pilha, loucos para surfar, mas impotentes frente a situação. Só nos restou dormir, e que batalha! Perto das duas Marco e Israel dormiram e a mim só restou a mesma alternativa. Acordamos cinco horas, com dor nas costas proveniente de uma "deliciosa" noite de sono no carro e tomamos café (água com pão e bolacha). Tiramos as pranchas das capas, passamos as parafinas, colocamos os sleeves, e caminhamos 3 km até a costa.
Chegando lá as cinco e meia, nos deparamos com a mesma condição do dia anterior, altas ondas e o visual incomparável! Nem nos alongamos direito, e já caímos, a galera toda instigada, gastou todas as energias até as sete da manhã, que queda! Dentro da água, abri meu sleeve de tão maravilhosa que aquela água estava. O caminho de volta foi doloroso, deixar aquelas ondas sozinhas, quebrando solitárias, aquele visual com o sol nascendo, mas o dever nos chamava. Voltamos, tomamos mais um daqueles cafés luxuosos, e empurramos o carro até a oficina. Lá esperamos até meio dia, para o mecânico nos comunicar que o carro ficaria pronto só as quatro da tarde. Sabendo disso, eu e Israel convidamos o Marco para dar mais uma caída, porém ele preocupado com seu carro ( e com razão), resolveu acompanhar o serviço. Nos deu a bênção, nós comemos e fomos de apé com as pranchas, com as caras brancas de protetor, de bermuda com o pé esfarelando em 3 km de asfalto quente.
Porém quando chegamos nos deparamos com o mesmo visual de demanhã cedo, mas a água estava azul cristalina, e o mar havia crescido, ou seja, ALTAS! O crowd tinha aumentado, mas nada que atrapalhasse. Pegamos altas ondas até as 3 da tarde, onde fomos embora tristes porém com sensação de dever cumprido. Nos arrumamos, deixamos o Israel na Rodoviária para sua volta a Florianópolis, e eu e Marco pegamos nosso caminho, agora pela 101, para casa.
Porém apesar de tudo, a curtição como sempre foi 100%. O carro estragou, mas nos divertimos e rimos muito juntos, conhecemos pessoas novas, pegamos altas ondas e temos mais uma história para contar. No fim, o lado bom sempre pesa mais, e faz com que tudo o que acontece de ruim, fique para trás e não tenha significado nem relevância nenhuma.
Para finalizar, uma mensagem presente na Lanchonete da Balsa, onde eu e Marco não pudemos deixar passar, e que resume tudo o que aconteceu nesses dois dias, e por fim, a foto da condição do nosso abençoado mar.


















ALOHA!